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Os livros como companhia

Um blogue sobre livros, leituras, opiniões sinceras e isentas de interesses.

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Dom | 18.11.18

Jane Eyre; Charlotte Brontë

m.

Charlotte Brontë; Jane Eyre

 O que posso dizer deste livro, só coisas boas, muito boas, porque é um livro daqueles que marcam e ficam impregnados em nós. Tinha visto o filme há alguns meses atrás, e pensei tenho ali o livro, agora já sei a história será muito diferente?; comecei a lê-lo, "não demorei nadinha a ler", "devorei" e "saboreei" este livro em menos de duas semanas intercalado com outras leituras. Porque o que é bom deve ser prolongado. O livro superou o filme, no filme temos como que um "cheirinho", no livro as personagens são completas e ainda mais enriquecedoras. 

Que poder de escrita têm estas irmãs, vou querer ler todos os livros escritos por esta família, já li O Professor e Jane Eyre (Charlotte Bronte), e o Monte dos Vendavais (Emily Bronte), faltam-me todos os outros, mas este livro entra para uma categoria de Livros Mais Que Especiais. 

Sobre o livro: Jane é uma criança de dez anos, que vive com a família do tio falecido, é tratada pior que uma criada até pelas próprias, só uma é mais doce e carinhosa com ela, mas só quando os outros não estão a ver, sofre horrores nas mãos da tia, principalmente do primo odioso que aproveita sempre para a maltratar, caluniar e aterrorizar, Jane é uma menina forte, justa e faz tudo para apurar a verdade.  

 " Com o livro de Bewick ao colo eu era feliz, ou pelo menos, era feliz á minha maneira. Não havia nada a temer para além de uma possível interrupção, que aconteceu cedo demais."

" - Amo?Meu Amo? Eu não sou criada!

_ Não; é menos do que criada, porque não compensa o que lhe dão com o seu trabalho. Agora sente-se ai e pense bem na sua maldade."( Abigail (criada ) para Jane depois de ter sido agredida e insultada pelo primo)

" É uma sonsa, nunca vi garota da sua idade saber dissimular tanto."(Abigail para Bessie, sobre Jane)

"-Adoeceu por ter chorado tanto no quarto vermelho. Mas vai melhorar depressa. "(Bessie para Jane depois desta ter sido castigada no quarto escuro onde faleceu o tio)

A sua "sorte" muda quando é enviada para um orfanato ai encontra a verdadeira amizade e companheirismo, e prova que não é mentirosa, intrujona e outras calúnias que a tia tinha contado ao reverendo.

"Por mim, não conservo a recordação das maldades que me fazem! Não serias mais feliz se conseguisses esquecer a severidade com que foste tratada e os agitados sentimentos que esta te despertou?"(Helen para Jane)

Depois de alguns anos como aluna e professora decide tentar a sua sorte como preceptora e publica um anúncio no jornal, a resposta surpreendente e rapidamente levam-na a abandonar o conforto de uma vida., e vai para  Thornfield Hall, mas claro que nesta viagem atribulada tem um encontro com um cavaleiro misterioso, e embora eles não saibam são Jane e Mr. Rochester, claro que o reencontro é muito engraçado e eles ficam um pouco embaraçados, com o tempo a convivência entre os dois torna-se mais do que patrão/empregada,  convivência entre os dois é linda e apaixonante, e aos poucos vemos o amor despertar entre eles mas  um terrível segredo ensombra a vida de Mr. Rochester e as ameaças á vida dos ocupantes de Thornfield Hall começam a surgir.Os diálogos entre os dois personagens são construitivos e muito entretidos, verdadeiras lições de vida. 

"A sua beleza está nos olhos de quem o vê. Uns olhos apaixonados considerá-lo-iam belo ou, para melhor dizer, não haveria beleza que suplantasse a sua fealdade."(Jane sobre Mr. Rochester)

Mr. Rochester é um homem mais velho que Jane vivido e viajado, conquista-a de forma rápida e implacável, mas comete um erro grave, a mentira e a humilhação de Jane, um casamento a uma jovem enamorada , que sabe na própria cerimónia que o seu futuro marido é já um homem casado e a esposa (louca e maquiavélica) está viva e a viver na mesma casa que eles.

Nem imagino a humilhação de Jane,o que sabemos que sentiu são pelas suas próprias palavras, ferida, triste e desiludida, Jane volta a estar só, infeliz, desamparada e pobre. Deambula por paragens desconhecidas e é recolhida em casa de uns irmãos, que caridosamente a ajudam, mas Jane ainda não conseguiu esquecer, o seu amor, e numa "alucinação" ou sextos sentido, premonição, ouve alguém chamá-la com muita dor e desespero, ela nem hesita e sabe que quem pede ajuda é o seu amor, quando volta vê tudo em cinzas e descobre um homem desamparado e derrotado, mas o amor é forte e Jane promete ser a vida de Mr. Rochester.

"Enquanto eu viver, não ficará abandonado, meu senhor muito querido."(Jane para Mr. Rochester)

"- Estou muito feio, não é verdade?

- Feio sempre foi, não o ignora.

- Vejo que continua a ser mazinha."(Mr. Rochester e Jane)

" - Cá está a minha cotovia! Não se foi embora? Uma das suas irmãs esteve a cantar, há pouco, no arvoredo, mas o seu canto não teve para mim a doçura da sua voz. Toda a melodia da terra se concentrou na voz da minha Jane, todo o calor do sol na sua presença." (Mr. Rochester a declarar-se a Jane)

Jane uma mulher forte, determinada, lutadora, vencedora, justa e justiceira, personagem a frente do seu tempo, numa época em que as mulher pouco influíam na sociedade, esta Jane impôs a sua presença de forma majestosa e carinhosa, uma personagem da qual fiquei "Amiga" e que me conquistou com a sua coragem e  perseverança.

Um livro memorável, narrado na primeira pessoa, que me deixa saudades.

Um Hino ao Amor.